Influenzanet is a system to monitor the activity of influenza-like-illness (ILI) with the aid of volunteers via the internet
Nesta página expomos uma breve análise dos dados resultantes da monitorização da gripe, entre os participantes gripenet, durante a época 2006/2007.
Após 25 semanas de monitorização Gripenet, onde foram tratados os dados de mais de 35 mil questionários de sintomas, enviados por 4.200 portugueses, a curva de incidência gripal foi a que abaixo se mostra. No início de fevereiro, a epidemia atingia o seu pico máximo, apesar de a sua intensidade ser ainda considerada moderada (Gráfico 1).
Gráfico 1 – A curva de incidência.
Comparando a curva de incidência com a elaborada a partir da informação enviada pelos médicos-sentinela, compilada pelo Centro Nacional da Gripe (na altura, o Laboratório de Referência da Organização Mundial de Saúde para a Gripe em Portugal) e reportada ao European Influenza Surveillance Scheme (atualmente, o European Centre for Disease Prevention and Control), verifica-se uma forte conformidade entre as duas curvas. Como nota, o Gripenet define “síndroma gripal” quando são reportados mais de 38 graus de febre, com aumento súbito, dores musculares e um sindroma respiratório (Gráfico 2)
Gráfico 2 – Gripenet versus vigilância convencional.
Quanto à análise temporal cruzada com a estrutura etária da amostra Gripenet, ressalta que os mais jovens contraem a doença mais cedo, enquanto os mais idosos são afetados pelo vírus mais tardiamente (Gráfico 3).
Gráfico 3 – Gripe em função da idade.
A projeção geográfica dos casos de síndrome gripal revela que, esta época, a gripe “viajou” de norte para o centro-sul. Por insuficiência estatística da região Sul (poucos participantes), não foi possível concluir que esse sentido de propagação se manteve do centro-sul para as regiões mais a sul, sendo, porém, de considerar esse o cenário mais provável (Gráfico 4).
Gráfico 4 – Distribuição geográfica da gripe.
Foi ainda comparada a temporalidade da epidemia entre os três países que dispõem de sistema de monitorização em tempo real (Holanda, Bélgica e Portugal). O facto de existir um hiato entre o sudoeste e o centro europeu não permite ainda estabelecer com certeza o real efeito de onda epidémica, sugerindo, contudo, os dados existentes que a gripe se propagou numa “onda” de sul para norte (Gráfico 5).
Gráfico 5 – Os dados dos sistemas on-line existentes na Europa.
Por fim, algumas curiosidades estatísticas: sexta-feira é o dia da semana que regista mais novos casos declarados; como se suspeitava, os fumadores são mais suscetíveis ao Influenza do que os não fumadores; porém, contrariando algum senso comum, os suplementos de vitaminas parecem não conferir maior resistência ao Influenza. Confirma-se que são os adultos (25-50 anos) com crianças em casa que registam mais episódios gripais do que os agregados só compostos por adultos. Em Portugal os homens contraíram mais gripe do que as mulheres, o contrário do que se passou na Holanda; são os holandeses que mais ficam em casa quando estão com gripe. Todos estes dados devem ser estatisticamente relativizados para a amostra Gripenet (4.200 participantes), devido à pequena dimensão da amostra.
Gráfico 6 – Os fumadores engripados.
Gráfico 7 – A gripe pelos dias da semana.
Gráfico 8 – Recurso a suplementos (vitaminas).
Gráfico 9 – Crianças em casa.
Gráfico 10 – Homem ou mulher em Portugal?
Gráfico 11 – Homem ou mulher na Holanda?
Gráfico 12 – Ficar com gripe em casa?